No Nevada a coisa aquece

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... Ouviram-se os toques do sino da igreja chamando os fiéis para a missa dominical que teria o seu início pelas 9 horas como habitualmente.

Após missa terminada, as ruas foram-se enchendo de gente, cada um rumo ao seu destino.

A Taberna já tinha aberto as suas portas e o primeiro cliente a entrar foi como de costume, o FerNandes, alcoólico inveterado, residente no rancho Manik and Delink. Este Rancho que outrora tinha sido um Manicómio e ao mesmo tempo Hospital de delinquentes, ficou registado com este nome escolhido por Lucas Sortudo, o actual proprietári. Para a posteridade dizia ele com um sorriso sarcástico no semblante.
Ninguém sabia do que vivia nem o que aquela gente fazia excepto duas raparigas, a Chester e a Barbária. A Chester ficou com essa alcunha porque andava sempre de cigarro na boca, marca Chesterfield, e ainda a tratam por esse nome mesmo que há já algum tempo tenha mudado de marca e passado a fumar Marlboro. A Barbária era conhecida por este nome, pelas barbaridades cometidas num bairro de negros. Era a chefe de um clã dos famigerados K.K.K. e pelo que contavam, essa turma cercou todo bairo, disparando a torto e a direito com envio de tochas incendiárias não deixando vivalma para apresentar queixa.
 
... Eram as bailarinas que abrilhantavam as noites na Taberna do sr. Nocturno.

A esplanada da Taberna estava bem composta, maioritariamente por ocupantes do rancho Manick and Delink, e de outros tais como dos ranchos Soldiers of the West, Cidade da Costa, Jóqueis na Tormenta. Count's Village, Fairy Tale, Seagulls e outras mais pertencentes ao condado de CIDADE.
A poucos metros da esplanada, Viola abastado, expunha uma panóplia de frutos e legumes. Era o maior agricultor de toda a zona.
O pregão do Viola anunciando os seus produtos confundia-se com a vozearia da clientela da esplanada da Taberna_
- Boas laranjas, doces e sumarentas, gritava Viola.
- Mais uma caneca gritava o vêtêemeeene e logo de seguida um wisky gritava o FerNandes.
Era assim a vida na CIDADE todos os domingos em dias não chuvosos.

- Quem é aquela morenaça tão gira perguntou o bivalve?
- Eh pá, não me digas que não conheces a mulher mais bela da CIDADE respondeu QuimBelo. Eu sei que tens andado muito tempo fora mas até custa a acreditar que nunca a tenhas visto. Não sei o nome dela mas é conhecida por Rainha Sombria. Veste sempre de escuro. Mas cuidado. Parece que já tem dono.
- Tem dono! Ahahahah. gargalhou bivalve. E quem é esse felizardo?
- Penso que seja Cariantes, o Governador.
 
- Ouve lá, pergunta bivalve. Purque é que lhe chamam rainha?
- Penso por ser pela maneira como anda, pelo seu porte e pela sua aparente personalidade.
- Olha quem vem aí. diz QuimBelo. São os gajos da milícia do Oeste. Têm a mania que são superiores e importantes.
- Sim, diz bivalve. Tenho um pó àquele Tribalázius. Estou à espera de uma oportunidade para lhe fazer a folha.
- Deixa lá isso pá. Esquece.
- Esquecer? Isso nunca. Já viste a figura que fiz na frente daquela malta toda? O gajo em vez de me dar socos só me dava chapadas, vocifera bivalve a espumar de raiva.
Enquanto estes dois continuavam dialogando, o grupo de cavaleiros do rancho soldiers os the West iam passando frente à Taberna dirigindo-se para os estábulos da CIDADE.
Marco Babado, proprietário do Rancho soldiers of the West era um homem bem constituído, de poucas conversas, um tanto autoritário mas justo nas suas apreciações.
O termo babado era só do conhecimento e dito pelos elementos do rancho motivado pelo carinho e afecto dedicados à sua filha MiúdaQueque.
É mesmo um pai babado dizia a malta do rancho.
 
Essa malta mais o seu patrão eram o que restou de uma Companhia de militares nortistas que combateram na Guerra da Secessão.
O Capitão Marco, promovido a Major após a rendição sulista, optou por ficar na zona onde estivera a batalhar durante alguns meses e aí adquirir um rancho para se dedicar à criação de gado bovino.
- Maus caros companheiros, disse Major Marco falando para toda a tropa da sua Companhia após alguns dias do término da Guerra. Estou a pensar ficar por aqui e adquirir um rancho. Gostava que me acompanhassem nesta nova aventura...
E em uníssomo, não deixando que o Major acabasse de apresentar a sua proposta, e em alta voz disseram:
- Eu fico meu Major.
O Major com a voz um pouco embargada balbuciou.
. Obrigado meus velhos amigos e companheiros. Vamos em frente e que Deus nos acompanhe.

Entretanto, Viola continuava a anunciar os seus produtos. Éleeérre e MarcoJota, trabalhadores do Manick and Delink, aproximaram-se dos cabazes e Marco Jota segurando um tomate começou revirá-lo para um e outro lado.
Viola, com uma cara de poucos amigos gritou para Marco Jota:
- Não tens nada que estar a apalpar os meus tomates, estás a ouvir ó meu palerma. Desaparece e põe-te a pau comigo porque estás na mimha lista negra-
-Eh pá, se é lá por isso vou-me já embora.
E assim foi, voltaram novamente à Taberna mas pelo caminho foram cogitando a preparação de uma vingança.
- O gajo é matulão e bate bem, dizia Éleeérre, mas se o apanharmos descuidado podemos lixá-lo.

No interior da Taverna, as canecas iam cheias e voltavam vazias. A um canto, ao fundo, jogava-se poker.
- O que é que trazes aí? gritou Nando People para CêCê que acabara de entrar com um pacote à cabeça.
- É para a Barbária quando vier à noite para o espectáculo. Onde é que eu ponho este pacote gritou Nando People para Nocturno?
- Pòe além em cima daquela cómoda, respondeu o dono da Taberna.
Passados poucos minutos. Mr. Nocturno, batendo as palmas para ser tomado em atenção gritou:
- Ninguém mexe no pacote da Barbária.
 
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