Concurso Halloween 2020

sepl27

Moderador
Membro da equipa
Caros habitantes do velho oeste,

Este ano o desafio vai ser diferente. Vamos desafiar-vos a criar uma história, na primeira pessoa, acerca da noite de Halloween. Uma história que nos transporte para dentro do jogo e sintamos na leitura as sensações da nossa personagem!

O Oeste é um lugar sinistro e perigoso. Durante todo o ano há duelos entre bandidos e vilões, assaltos e disputas de território por todos os mundos.
Imaginem então o quão sinistra será a Noite das Bruxas este ano: A escuridão fracamente iluminada pelas velas dentro das abóboras, o som dos gritos que chegam de longe, as bruxarias e poções de que todos falam... São infinitas as histórias que todos podemos viver ao escrever a nossa própria aventura e ao ler a dos nossos companheiros. Pousem a vossa arma, agarrem a pena e comecem já a escrever!


Regras
- Redigir uma história com o mínimo de 150 palavras;
- Obrigatório fazer referência a 4 itens do jogo, no mínimo;
- A participação deve respeitar todas as regras do nosso fórum.


Datas
1ª fase -
Participação (de 24/Outubro) até 5 de Novembro às 23h59.
2ª fase - Validação final das participações por parte da equipa de suporte até 7 de Novembro.
3ª fase - Anúncio dos vencedores no Fórum e Facebook e ainda entrega dos prémios a partir de 7 de Novembro.


Prémios
1º Lugar:
-28 dias de UM Premium Individual à escolha;
-3250 flores do Dia dos Mortos (ID: 2678000);
-1x Abóbora do Dia das Bruxas (ID: 2391000).

2º Lugar:
-14 dias de UM Premium Individual à escolha;
-3250 flores do Dia dos Mortos (ID: 2678000);
-1x Abóbora do Dia das Bruxas (ID: 2391000).

3º Lugar:
-6 dias de UM Premium Individual à escolha;
-3250 flores do Dia dos Mortos (ID: 2678000);
-1x Abóbora do Dia das Bruxas (ID: 2391000).

Os restantes participantes válidos serão recompensados com:
-3250 flores do Dia dos Mortos (ID: 2678000);
-1x Calavera de dulce (ID: 2669000)


Cada participante deverá colocar o nickname e o mundo onde deseja receber os prémios no tópico apropriado para o efeito. Este tópico pode ser acedido aqui.
NOTA: Caso o Nickname/Mundo não seja colocado no tópico indicado em cima, os prémios não podem ser entregues.


Bónus de maior rendimento
Bónus de automatização
Bónus de energia
Bónus de personagem

Iremos valorizar a vossa criatividade, imaginação, coerência textual, recursos expressivos, adjetivos e comparações.

Divirtam-se!
 
Última edição:

thunder

New Member
Foi mesmo um 31!!!

No dia 31 de Outubro, às 23h59, na taberna do Henry, fazia-se sentir a mítica noite de Halloween. Era possível, ainda que tenuemente, inalar o aroma das abóboras torradas pelas velas que o Henry colocou no seu interior e que adornavam todas as mesas da taberna. O ambiente era iluminado por tons alaranjados que proporcionavam o ambiente ideal para que o Xerife, absorto em reflexões, degustasse o velho whisky que Henry lhe servira. Henry estava a limpar o balcão, como reiteradamente fazia.
O índio Waupee, mal se continha pelo contentamento que sentia em partilhar comigo as mais assustadoras e aterrorizantes histórias de Halloween que ouvira de seu avô, quando era criança.
Lá fora tudo parecia calmo, da janela via-se uma noite escura e cerrada, envolta em neblina e silêncio. Apenas as mais pronunciadas brisas beliscavam o sossego que se sentia neste velho Oeste.
Eu, que partilhava uma inebriante tequila com Waupee, perdia-me em pensamentos. Deixei-me levar pelo misticismo das histórias que ele contava e imaginei-me criança, ouvindo um velho índio contar horrores que me fariam recear cair no sono.
Suspendendo a quietude daquela noite, Diana irrompeu bruscamente pela porta e entrou na taberna gritando: “Que horror, alguém precisa fazer alguma coisa!”. Diana estava ofegante e a sua face emergia expressões de horror e perplexidade, sabia que o que acabara de presenciar não era uma habitual e típica partida de Halloween.
O Xerife prontamente lhe perguntou o que havia sucedido, mas a voz trémula de Diana mal a conseguia fazer expressar-se. Henry, diligente, apressou-se a dar-lhe um copo de água para a acalmar. Eu e o Waupee, saltamos da cadeira e aproximamo-nos de imediato. O que teria acontecido?
Já mais calma, mas ainda incrédula, Diana contou o que vira instantes antes: “ Ainda bem que estão aqui, meus amigos, não vão acreditar no que acabou de acontecer. Passavam pouco minutos das 23H31, quando da minha janela vi um vulto que deambulava de lado para lado. A princípio ignorei, estava convicta ser alguém que se divertia disfarçado numa noite como esta. Foi então que que ouvi um grito de horror vindo da casa de Mary, a minha vizinha. Corri para lá e encontrei-a em prantos, em claro estado de pânico. Mary repetia vezes sem conta que vira um fantasma, mas não era um fantasma qualquer. Era um fantasma furioso que queria saber onde se encontrava o barbeiro Harper Clanton, o seu marido. Mary disse ter pensado que se tratava de uma travessura de Halloween mas, foi quando viu o fantasma trespassar portas, paredes e janelas da sua casa como se elas não existissem, que sentiu o verdadeiro pavor. Mary assegurou que era um fantasma verdadeiro e estava com uma fúria incontrolável. Ela disse que tentara defender-se arremessando objetos contra aquela colossal e aterradora figura mas os eram esforços inglórios, os objetos não faziam mossa e perpassavam pelo ser incorpóreo. Ao que parece, o fantasma sumiu quando aquela lhe disse que o Harper não voltara da barbearia. O fantasma desapareceu e levou consigo a lâmina de barbear afiada de Harper que este guardava com grande estima por ser a única recordação de família que pertencera ao seu bisavô. Disse Mary, inconsolável, que Harper apenas afeitava os seus mais nobres clientes com aquela lâmina e que iria ficar desgostoso com aquela perda. Achei tudo aquilo uma loucura e ri-me pois, afinal de contas estamos no dia de bruxa, não é verdade?”.
Diana suspirou e pausou. Waupee, excitado por passar de contador a ouvinte de histórias, agitou-se energicamente na sua cadeira quase fazendo saltar da cabeça a sua fita vermelha, e protestou: “Por mil penas de águia, Diana, não pares agora! Que raio se passou a seguir? Conta!”. Eu escutava atentamente a história, afinal, para mim, só o narrador tinha mudado. O Xerife, ainda que vacilante, anotava profissionalmente no seu bloco cada detalhe da história. Henry largara finalmente o pano e juntara-se para ouvir Diana mais de perto.
Diana prosseguiu então: “Acalmei Mary e esta acabou por me contar que estava muito preocupada pois Harper não havia voltado da barbearia e não sabia do paradeiro do seu amado esposo. Decidi regressar a casa, pois em mais nada conseguia ajudar a pobre Mary. Enquanto caminhava, apontava o relógio 23h45, quando aconteceu algo que não esperava. Passava junto à casa de Harris Clanton, irmão gémeo de Harper, e, desta vez, era Judy, esposa de Harris, que gritava horripilantemente enquanto uma figura luminosa flutuava e se movia rapidamente no interior da casa. Senti um arrepio gélido percorrer-me o corpo, queria mexer-me para acudir Judy mas estava bloqueada, as minhas pernas estavam bambas e sentia-me incapaz de dar o mais pequeno passo que fosse. Ocorreu-me o pensamento que, inocentemente, duvidara de Mary. Naquele momento, queria acreditar que aquilo não passara de uma alucinação, mas não, era tudo real e estava a acontecer! Foi então ouvi, soluçadamente, Judy implorar: “Por favor, não me faça mal, o Harris desapareceu!” e o clarão provocado pela sinistra figura luminosa desapareceu. Corri para aqui, não queria voltar para casa sozinha, não, depois disto. Senhor Xerife, faça alguma coisa. Tem de ajudar as ajudar!”.
A pouca clarividência da história não parecera convencer o Xerife e, de facto, a mais nenhum de nós. Foi então que ele perguntou: “Diana, e de quem era esse fantasma? Conseguiste reconhecê-lo?”. Diana, hesitante como se a figura que já tinha agitado em demasia aquela noite ali estivesse presente, balbuciou e sussurrou : “Aquele chapéu de cor preta com uma fita azul ferrete não me deixam dúvidas, Xerife, é o fantasma de Wyatt Earp!”. Ouviram-se “ah’s!” de espanto na taberna.
Pensativo, o Xerife meteu mãos ao trabalho, tinha de desvendar aquele mistério. Saíra em direção às casas de Mary e Judy, necessitava inquirir e ouvir em primeira mão o que as atormentadas esposas testemunharam naquela noite.
Nesse mesmo instante, passavam treze minutos das 01h00, Sam Theodore, coveiro e guarda do cemitério, entrara na taberna. Vestia as roupas pretas manchadas com pó da terras das sepulturas que cavava e trazia o cabelo grisalho desgrenhado, como já era habitual. Apenas descaracterizava aquela imagem a falta da sua pá que Sam todos os dias carregava sobre o ombro esquerdo. Tinha, hoje, um semblante mais cansado e fustigado que o norma. Enquanto pedia um cálice de aguardente a Henry, resmungava sobre o quão trabalhosa era a noite de Halloween: “Vá-se lá entender estes parvos entusiastas que me tentam pegar partidas no cemitério. Aquilo é quase a minha casa!”, e continuou: “É que nem os irmãos Clanton me deixam sossegado hoje, nunca os imaginaria uns homens tão pacatos a fazer algo semelhante áquilo”.
Eu, Waupee, Diana e Henry, que até então, que parecíamos ignorar Sam, rapidamente nos interessamos com o que ele praguejava. Henry perguntou o que havia acontecido, Sam continuou: “Eram 23h00, quando me preparava para iniciar uma ronda vigilante pelo cemitério em busca dos anuais intrusos de Halloween, quando entram pelo portão, completamente extasiados, os irmãos Clanton. Perguntei-lhes o que ali faziam numa noite como aquelas e os insurretos nem me responderam. A Má criação não lhes dará o céu! Foi então que, sem prever, Harris me arrancou a pá do ombro e Harper me empurrou bruscamente, fazendo-me cair desemparado sobre a sepultura do pobre Ahtur Smith, este que me perdoe! Seguidamente, aqueles desgovernados desapareceram-me por entre as sepulturas sem me permitirem perceber por onde foram. Aquilo é escuro como breu, impossível não os perder de vista. Porém, o que eu estava longe de imaginar era o que aqueles dois iriam fazer depois. Foi uma maldade, um ultraje, nunca pensei vê-los fazer tamanha descortesia.”
Waupe, que não aguentava já o rodeio de Sam, acabando mesmo por lhe saltar a fita vermelha da cabeça, inquietante suplicou: “Sam, afinal o que fizeram os irmãos Clanton? Apre, já não se fazem contadores de histórias como o meu avô!”.
Sam, sem perceber o histerismo de Waupee, continuou: “Harper e Harris usaram a minha pá para cavar a sepultura do Xerife Wyatt Earp e nem o caixão do defunto deixaram imaculado. Isto não se faz. Pois bem, meus caros vou ganhar forças com este bagacinho pois tenho de reparar o estrag....”. Nem deixámos o coveiro Sam concluir. Eu, Diana e Waupee saíamos a correr da taberna, tínhamos de encontrar o Xerife e contar o que sabíamos. O discreto Henry permanecera impávido, compreendera a repentina e apressada saída. Sam, degustando o bagaço, vociferou: “Henry, meu caro, nunca vou compreender este lado selvático das pessoas na noite de bruxas!”.
Já depois de ter indagado as esposas dos gémeos Clanton, o Xerife não conseguiu saber muitos mais factos para além dos que Diana tinha conferenciado. Soube, no entanto, que também Harris ficara sem uma recordação deixada pelo seu bisavô, um florete enferrujado. Harris Clanton era um soldado exímio, várias vezes medalhado e condecorado pelo seu comportamento exemplar, e um apaixonado por armas de guerra. Judy, inconsolável, contara ao Xerife que Harris, apesar de não conhecer a história daquele florete, tinha uma enorme estima pelo artefacto.
O Xerife tentava unir as várias pontas soltas daquela história. Perturbava-o o facto de Diana ter falado verdade, não porque disse a verdade, mas pelo simples e insólito motivo de ir em busca de um suspeito fantasma, ainda para mais, o fantasma de Wyatt Earp. Foi coisa que nunca imaginou um dia fazer no seu percurso policial. Aquele, revelou ser o momento ideal para acender um intenso cachimbo da paz, o Xerife precisava processar e refletir sobre os factos que investigava: não sabia se este colérico fantasma era real, qual seria a motivação dele em procurar os gémeos Clanton que continuavam desaparecidos e porque lhes teria subtraído duas recordações do bisavô. Foi neste momento que o Xerife, genialmente, se recordou de algo intrigante. O bisavô de Harper e Harris era Ike Clanton e o Xerife conhecia bem a sua história.
Ike foi líder de grupo de bandidos rufias, salteadores de fortunas e assaltantes. Eram um grupo de homens desonrados e ostracizados que caíram no mundo do crime. Reza a lenda que era um líder apaixonadamente seguido pelos membros do grupo, dotado de notáveis capacidades intelectuais, capaz de arquitetar e estratificar os mais elaborados e impressionantes projetos criminosos. Mas não há crimes perfeitos, e Ike Clanton, tal como a maioria dos membros do grupo, acabou por morrer num tiroteio contra xerifes durante um assalto ao Banco Central. Foi uma notável conclusão do Xerife mas ele ainda não sabia que o coveiro Sam teria sido a última pessoa a avistar os irmãos Clanton de quem ainda não havia sinal. Onde andará o Xerife? Onde andará a misteriosa criatura luminosa de que tanto se falara naquela noite?
Fiquei sozinha, Diana tropeçara e não conseguia mais andar, Waupee carregou-a até ao ervanário de Simon pois precisava de uma dose de remédio para as dores. Não os vi mais naquele noite e senti-me sozinha, mas tinha de continuar. Era eu quem se sentia agora perturbada por pensamentos: porque andaria o fantasma de Wyatt Earp à procura dos gémeos Clanton? Wiatt Earp era uma lendária figura do velho Oeste, conhecido por ser um dos mais temidos xerifes de sempre. Iniciara o seu percurso como um extraordinário caçador de recompensas, amealhando inúmeras capturas de criminosos. A história apregoava que Wiatt era um implacável duelista, capaz de desarmar os mais ágeis pistoleiros oponentes com apenas um tiro. De lés a lés, os seus feitos não eram segredo e Wiatt Earp era o nome mais temido por aqueles que tinham a cabeça a prémio. Tornara-se xerife, um nato e temível cumpridor da lei, e o seu nome continuava a ecoar até nos ouvidos dos mais perigosos criminosos. Ficou para sempre célebre a frase de que foi autor: “Eu sou a lei e isto acaba aqui!”, mas nunca foi esta tão famosa como a sua dourada Colt Buntline. Wiatt Earp havia pago uma fortuna para lhe forjarem a arma que venerava como uma deusa. Eram inseparáveis e, por isso, quando morreu, também a arma foi sepultada juntamente com o único homem que a empunhara em vida.
Cruzava a esquina que dá para a igreja e batera de frente com o Xerife, procurávamo-nos mutuamente. Depois de o colocar ocorrente de tudo, concordámos que o ponto de partido seria o cemitério.
O nevoeiro permanecia baixo, tornando a evolvente ainda mais negra. Eu e o Xerife deambulávamos entre sepulturas quando, de repente, tropecei num objeto imóvel que provocou a minha queda. O que seria? Breves instantes depois, também o Xerife perdeu o equilíbrio com um inesperado volume que lhe bloqueou a passagem. Senti a forma do objeto que me demovera e tive a sensação que o coveiro Sam ficaria feliz, era a sua pá. Já o Xerife permanecia em silêncio, estava petrificado com a sensação de horror lhe atravessou o pensamento. O que sentira tinha formas e contornos humanos.
Sam foi atraído pelo ruído que provocamos, vinha com a sua lanterna pronto para flagrar mais uma partida, ficou desapontado quando nos viu. A iluminação parca da lanterna foi suficiente para constatar que as figuras humanas debruçadas no solo pertenciam aos irmãos Harris e Harper Clanton. Felizmente acordaram após vários e agressivos abanões do Xerife. Estavam confusos e assustados por acordar ao lado da sepultura do seu bisavô Ike, esta, que Sam, já reparou também havia sido remexida. Rezingão perguntou: “Senhora das pás, mas que raio têm vocês hoje que não param de “descavar” as minhas sepulturas. Até a do vosso bisavô?!”.
O Xerife interrogou os irmãos sobre tudo o que aconteceu. Harper contou que tinha encerrado a barbearia e a caminho para casa e quando, passou em frente ao largo da igreja onde tantas vezes brincou com Harris em criança, ouviu a voz de um homem que o chamava. Era uma voz familiar, recordava-lhe a de seu pai, por isso seguiu-a irrefletidamente, caminhando rumo ao cemitério.
Harris interrompeu a história do seu irmão, pois aquela tinha sido a voz que ouviu quando saiu do quartel, justamente, quando atravessava também o largo da igreja. Os gémeos lembravam-se de se terem encontrado junto ao portão do cemitério quando aquela voz se configurou num ser luminoso, que lhes recordavam as feições de um retrato familiar. Era alguém que nunca conheceram, mas sobre quem tantas perguntas fizeram à bisavó Elizabeth. Era a figura do bisavô Ike, a voz que ouviram pertencia-lhe.
Harris e Harper confessaram sentir-se apavorados mas não conseguiram conter a emoção de realizar um sonho de criança há muito esquecido: conhecer a pessoa que lhes tinha deixado de herança tão peculiares e estimados bens, ainda que a conhecessem sob a forma de um espectro fantasmagórico. Os irmãos prosseguiram na descrição do encontro com o seu antepassado. Ike tinha-lhes contado que o responsável pela sua morte e que o privara de os conhecer, estava sepultado naquele cemitério juntamente com aquilo que mais idolatrou na vida. Pediu-lhes vingança. Os bisnetos, movidos por um sentimento rebelde que não conseguiam dominar, avançaram para a sepultura de Wyatt Earp para cumprir o último pedido de Ike: privar o seu oponente da arma que sempre estimara.
Agora lúcidos, Harper e Harris mostravam-se embaraçados e envergonhados com o seu comportamento, não compreendiam a motivação que os levou a praticar tão atroz comportamento.
O Xerife não precisava ouvir mais nada, tinha a convicção que naquela noite, dois dos mais míticos pistoleiros do Oeste iriam novamente defrontar-se mas, desta vez, um deles parecia estar em desvantagem, fora privado da sua fiel arma. O coveiro Sam continuava a praguejar com a agitação que se fazia sentir no cemitério, dissertava sobre a falta de respeito pelos mortos no seu próprio dia e num local tão cerimonioso, parecia pouco importar-se com tudo o que ali se falava. Os irmãos Clanton continuavam à procura de respostas para os misteriosos contornos que os transportaram para aquele lugar. Eu observava o rosto cerrado do Xerife que não escondia a preocupação que dois fantasmas enraivecidos duelassem por vingança, ali, na presença de tantas testemunhas. Foi então que um estrondo, seguido de repentino fecho de luz irrompeu todo o espaço, quase cegando. O que seria desta vez? Naquela noite já não me sentia capaz de aguentar mais uma revelação.
Olhei em redor, estava sozinha e era já de manhã. Henry deixara-me mais uma vez a dormir na taberna e fazia sempre o mesmo barulho para me acordar. Balouçava a porta até esta embater com violência na parede, malvado, bem sabia o quanto esse ruído me azucrinava. Henry trazia um copo de água e medicamentos para o estomago e cabeça, já sabia que iria precisar. Disse-lhe: “Henry, meu amigo, um dia esta tua tequila ainda me vai matar!”. Henry sorriu e com humor replicou: “Antes isso que um fantasma, não é verdade?”. Retribuí o sorriso e tive um estranho pressentimento: algo me dizia que, nesta noite, não tinha sonhado com enredo sozinha.
Era dura a ressaca que sentia esta manhã. Acendi o cigarro de filtro que o meu estimado amigo Alfred Card me trouxera das viagens ao Arizona e meditei em pensamentos soltos. Há lendas intemporais e duelos e lutas de honra que se perpetuarão para a eternidade. Vagueava pela ideia de que no meu Oeste nenhum dia era igual a outro e isso era o mais emocionante de ali viver. No próximo dia de Halloween, teria a minha própria história para contar.


Fim!
 

mrcruks

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A noite era de lua cheia. As ruas na cidade estavam serenas. Não havia uma viva alma em vista. A taberna do Henry tinhas as luzes acesas, no entanto, pelo que se via de fora, não se encontrava ninguém lá dentro.
Do nada, o que parecia ser um comerciante itinerante aparece dentre o nevoeiro que entretanto se tinha instalado. Ele diz para eu sair da cidade o mais rápido possível porque existia um assassino a vaguear pela cidade a esventrar tudo o que se mexia. Este mesmo comerciante não parecia ser de confiança devido a estar a tresandar a tabaco e a whisky. No entanto, era de facto estranho a cidade parecer estar vazia. A curiosidade estava a tomar conta de mim. Porque razão estaria a cidade deserta? Seria verdade a história do comerciante? Tenho que averiguar, pensei eu.
Montei o meu cavalo de corrida e de deringer de precisão na mão, continuei a percorrer a cidade. Mas não fui muito longe, pois logo a seguir encontro a Diana. Ela estava assustada e desamparada e mal me olhou na cara, começou a berrar e a correr na direção oposta. O que é que teria acontecido, para ela estar assim? Enquanto pensava numa razão minimamente plausível para tudo isto que estava a acontecer, continuei em frente.
Estava cada vez mais frio, por isso vesti um poncho de lã por cima do poncho castanho que já trazia vestido e troquei as minhas calças curtas cizentas por umas calças de pele castanhas. Horas foram passando e não encontrei mais ninguém.
Quando dei por mim, já tinha dado a volta à cidade e encontrava-me de novo em frente à taberna do Henry. Desta vez, decidi entrar, mas não estava pronto para ver o que vi. Dentro da taberna, estavam todos mortos. Ao olhar mais de perto, o Waupee estava sem o seu colar, a Anna e a Lili esvaiadas em sangue, o próprio Xerife sem a sua estrela, quem não a tirava mesmo que tivesse a dormir e até o pobre coitado do Henry encontrava-se sem o seu estimado bigode, morto atrás do balcão. Assassinados à queima roupa por alguém sem escrúpulos. Digo isto devido aos vários buracos que percorriam os corpos dos defuntos e pelo tamanho dos mesmos, provavelmente feitos com um mosquete de precisão, ou para ser mais claro, pelas balas que saiem pelo mesmo. Ao acabar de inspecionar o corpo do Henry por trás do balcão, levanto-me e dou de caras com o meu reflexo no espelho que estava por cima do falecido. Não queria acreditar no que estava a ver! Cravado no meu Chapeú de feltro preto, estava a estrela do Xerife, no meu pescoço estava o colar do Waupee e no meu bolso trazeiro do lado direito estava uma lâmina de barbear afiada usada à pouco tempo devido aos pelos presos à lâmina! Eu não queria acreditar que teria sido eu a fazer tudo aquilo, mas ao virar-me para trás para fugir dali, só vi a Diana a correr para mim com uma garrafa de vinho partida para me...
 

gariso97

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A lenda do Espirito Negro

Era a noite de 31 de outubro, na Aldeia Índia do Waupee, e estava a tribo toda à volta da fogueira, à espera da história que o Avô do Waupee iria contar. Eu, encostado a um tronco de madeira que servia de banco, olhava atentamente para as chamas da fogueira que iam subindo ao céu escuro.
Passado algum tempo, o Avô começou a contar a história e como seria de esperar, devido à noite ser de Halloween, a história era sobre um espirito negro que assombrava a Reserva Índia na noite de Halloween. Mas claro que ninguém acreditou por ser uma simples história. No entanto, acabou por me deixar um pouco na dúvida se era verdade ou não.
Fui deitar-me na minha tenda, que partilho com o Waupee, e depois de algumas horas deitado no meu saco-cama, começo a sentir arrepios de frio pela espinha acima, algo que não seria normal para um saco-cama feito de peles de puma, fenos e rolo de tecido, que oferecem um aquecimento brutal. Achei muito estranho, mas deixei-me estar. Entretanto começaram-me a sussurrar vozes ao ouvido. Não dava para perceber bem o que diziam, mas pensei que fosse o Waupee e mandei-o calar de uma forma brusca. Com isto, ele acorda e mandou-me calar a mim. Enquanto estávamos os dois acordados apercebemo-nos de alguém a passar do lado de fora da tenda, uma sombra sinistra, criada pela luz da fogueira, com aspeto humano que parecia pairar no ar. Fomos ver quem é que andava acordado àquelas horas, pois não era normal estar ninguém, à exceção dos índios que estavam de guarda nas muralhas de madeira, naquela noite. Olhámos para um lado, olhámos para o outro e nada, não havia sinal de ninguém, apenas a fogueira que ainda estava a arder. Acabei por partilhar com ele o que me tinha acontecido e por surpresa ele contou-me exatamente o mesmo.
Seria possível o que aconteceu? Será que o que passou perto da nossa tenda era o Espirito Negro que o Avô tanto falou? O que é certo é que foi complicado adormecer nessa noite, até mesmo com o meu Tomahawk e o Arco ao meu lado. O mesmo já não posso dizer sobre o Waupee que adormeceu com o seu Urso e embrulhado no saco-cama sem qualquer problema.
Após essa noite, nunca mais voltou a acontecer algo parecido. Às vezes pergunto-me se isto foi tudo um sonho, ou se foi real.

Fim!
 

sepl27

Moderador
Membro da equipa
Os vencedores do concurso deste ano são:

1º Lugar - gariso97
2º Lugar - thunder
3º Lugar - mrcruks

Por favor, informem no tópico Nickname + Mundo, qual o Premium Individual que pretendem receber nas vossas contas.

Parabéns aos vencedores, esperemos que se tenham divertido :) !